terça-feira, 14 de junho de 2016

Anestesia? Não, obrigado!



Eu sei que meus colegas anestesistas abominam essa ideia, respeito todos eles e respeito mais ainda as mulheres que pedem e recebem a anestesia. Realmente em muitos casos ela é necessária e até ajudam na evolução do trabalho de parto.

Mas querer viver um parto natural, também deve ser respeitado, porque há muitos significados por trás desse desejo.


Para se conquistar um parto totalmente natural, primeiro é preciso querer.
Depois, estar preparada psicologicamente e com uma equipe que a apoia.
E para completar, ter a visão de que essa " dor " não é de sofrimento, mas de conquista.


Eu vivi um parto natural, respeitando totalmente o tempo e o meu corpo. Não me arrependo em nada e passaria por isso tudo denovo!


Perceber do que meu corpo é capaz, que como mulher sei parir, foi a experiência mais alucinante que já vivi. Cada "dor " que vivi, era um sinal que de minha filha estava cada vez mais perto de chegar, e que eu e ela, éramos capazes de fazer isso juntas.
Nosso primeiro desafio e nossa primeira conquista como mãe e filha.




http://estilo.uol.com.br/gravidez-e-filhos/noticias/redacao/2016/06/09/mulheres-que-pariram-sem-anestesia-falam-sobre-dor-e-realizacao.htm




Simone Nascimento - enfermeira obstetra

segunda-feira, 9 de maio de 2016

O que é ser enfermeira obstetra?

Durante anos, desde minha formação acadêmica venho respondendo à inúmeras pessoas o que é ser enfermeira obstetra e qual a minha diferença com os médicos ou doulas.

Vou tentar explicar de forma rápida.

O PAPEL DA ENFERMEIRA OBSTETRA:
A Enfermeira Obstetra ou Obstetriz é um profissional de nível superior e pós graduado na área de obstetrícia, e é ator importante na atenção ao parto e nascimento, sendo reconhecida assim pelas organizações internacionais, porque com seu atendimento são menos frequentes as intervenções, o uso de analgesia e o parto operatório, além de maior satisfação das mulheres com o cuidado recebido. A atuação desse profissional qualifica o cuidado e a realização do parto de baixo risco, o que permite às mulheres resgatar a competência própria de parir. O resultado é um parto com respeito à sua fisiologia e aspectos sociais que o envolvem. Resguardando o espaço da mulher, do bebê e sua família.

A atuação da enfermeira obstetra num trabalho colaborativo com o médico obstetra valoriza e qualifica a atenção obstétrica como um todo. Ficando a enfermeira a cargo dos partos de baixo risco, os médicos poderão se ocupar daquilo que estão mais bem preparados para fazer, que é acompanhar as mulheres com maior risco de dano à sua saúde ou à saúde de seu filho.

Esse modelo de atendimento ao parto, com a inserção do enfermeiro obstetra ou obstetriz, é consenso entre especialistas de todo o mundo. Pesquisadores defendem a inclusão desses profissionais como estratégia para redução da epidemia de cesarianas. A justificativa é que as enfermeiras obstetras estão comprometidas com as boas práticas obstétricas para o alívio da dor, como o estímulo à movimentação, liberdade para se alimentar e posição verticalizada na hora de parir, tornando o parto mais confortável, aumentando as chances de partos espontâneos e diminuindo a necessidade de intervenções desnecessárias.

Nas casas de parto são elas que são responsáveis por todo o atendimento. Caso haja necessidade de intervenção especial, a parturiente é transferida para o hospital conveniado. No sistema de saúde privado elas são contratadas por hospitais para o acompanhamento e avaliação das parturientes, ou fazem parte de equipes com o papel principal de acompanhamento do trabalho de parto, respeitando a mulher como protagonista do seu parto e evitando intervenções desnecessárias. As enfermeiras obstetras também podem atender partos domiciliares.

Em sua especialidade, elas aprendem também os primeiros cuidados com o recém- nascido, atendimento de emergências neonatais, inclusive em caso de complicação e atendimento à emergências obstétricas (emergências com a parturiente). Também podem se responsabilizar pelo pré-natal das gestantes, devendo encaminhá-las para médicos obstetras quando a gestação apresenta complicações.

O PAPEL DA DOULA:
Doula: São acompanhantes de parto, formadas por um curso de aproximadamente 32 horas, que dão apoio físico, emocional e afetivo para a parturiente, através de massagens, dicas de respiração, posições, etc. Ficam o tempo todo com a parturiente desde o início do trabalho de parto, para diminuir a tensão provocada pelo ambiente hospitalar e pela presença de muitos profissionais desconhecidos do casal. Não fazem nenhum tipo de exame físico na gestante, nem mesmo o toque para a avaliação de dilatação, nem atuam clinicamente. São contratadas pelas gestantes algumas semanas antes do parto. Alguns hospitais públicos possuem doulas voluntárias à disposição das parturientes. Não possuem formação para tomarem qualquer decisão ou indicar qualquer conduta obstétrica.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Nenhuma mãe tem “leite”quando o seu bebê acaba de nascer!!!


Nenhuma mãe tem “leite”quando
 o seu bebê acaba de nascer!!!

A cada dia que passa, fico mais furiosa com essas maternidade que chegam pra mãe que acabou de parir seu bebê e diz: “Você não tem, ou tem pouco leite!”, vamos precisar dar complemento para ele não morrer de fome.
Escutei mais uma vez isso ontem em uma maternidade conceituada daqui de São Paulo, quando um bebê que havia nascido há apenas 16 horas dormia e quando ia para o seio da mãe, sugava 5 minutos e dormia.
Agora me diz, o que tem de anormal nisso? Qual recém nascido não é assim?
Existem sim, bebês que nascem com mais necessidade de sugar do que outros, mas esperar e respeitar o tempo de cada bebê deveria ser regra!

Produção de leite e prolactina


A produção de leite em grande escala (conhecida “apojadura”) começa de 24 a 48 horas depois que você dá à luz. 

Após a retirada da placenta, os níveis dos hormônios estrogênio e progesterona começam a declinar. O hormônio prolactina, cuja quantidade vinha aumentando durante toda a gestação, é então liberado, para sinalizar ao corpo que é hora de produzir bastante leite. 

Pesquisas indicam que a prolactina é também responsável por uma sensação maior de "maternidade", daí ter sido batizada por alguns especialistas de o hormônio do instinto materno. Em geral, o leite demora mais para "descer" no primeiro filho e quando ocorre uma cesárea programada, fora do trabalho de parto. 

À medida que seu corpo se prepara para a lactação, ele libera mais sangue para a região dos alvéolos, deixando os seios firmes e cheios. Vasos sanguíneos meio inchados, combinados com a abundância de leite, podem deixar as mamas temporariamente doloridas, quentes e cheias demais, e provocar um ingurgitamento mamário, porém a própria amamentação ajudará a aliviar o desconforto inicial.
Primeiro desce o colostro

Nos primeiros dias de aleitamento, o bebê será alimentado por uma substância viscosa, meio transparente e rica em proteínas e calorias conhecida como colostro. É possível que nas últimas semanas de gestação você tenha notado o vazamento de gotas deste líquido amarelado (para algumas mulheres isso já ocorre no segundo trimestre). 

Esse precioso líquido é cheio de anticorpos chamados de imunoglobulinas, fortificantes naturais para o sistema imunológico do bebê. O leite materno se transforma no decorrer da amamentação a fim de suprir todas as necessidades da criança. 

Para que o bebê possa mamar, é preciso que o leite "desça" dos alvéolos. O processo funciona assim: o bebê suga o mamilo, o que estimula a hipófise a liberar os hormônios ocitocina e prolactina para a corrente sanguínea. Ao alcançar seu seio, a ocitocina provoca a contração dos pequenos músculos ao redor dos alvéolos cheios de leite. O líquido passa então para os ductos, que o transportam para os ductos que ficam pouco abaixo da aréola do seio. Ao sugar, o bebê faz com que o leite dos ductos chegue à sua boca. 

Nos primeiros dias de amamentação, talvez você sinta alguma contração no abdome, na forma de cólicas, bem na hora em que o bebê estiver mamando. A sensação sinaliza a liberação da ocitocina, que ajuda o útero a voltar ao tamanho normal (esse mesmo hormônio provocou a contração do útero durante o trabalho de parto). 

Também pode ser que junto com a contração venha um fluxo vaginal mais intenso de sangue, portanto capriche no absorvente. Essas cólicas são mais intensas a partir do segundo filho, e em alguns lugares do Brasil são chamadas até de "dor de parto". 

Um outro sinal é que você poderá se sentir calma, satisfeita e alegre ao amamentar. A ocitocina é, afinal, conhecida como o hormônio do amor! 

Com o aumento do fluxo de leite, é possível que você também sinta formigamento, queimação ou ardor nos seios. É fundamental estar tranquila durante a amamentação para que o leite desça com facilidade. 

Muitas mulheres comparam o aleitamento ao aprendizado de andar de bicicleta: pode ser complicado no começo, mas, quando você pega o jeito, fica parecendo impossível que um dia não tenho sabido fazer. 

Lembre-se de investir no repouso e na hidratação, e não use sutiãs muito apertados, para que seu peito possa se encher de leite.

Simone Nascimento - enfa obstetra

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Parto domiciliar planejado - PDP


discussão sobre o local de parto deve se pautar, essencialmente, em dois níveis: respeito à autonomia e ao protagonismo feminino, uma vez que a escolha do local de parto é um direito reprodutivo básico; e reconhecimento e adequada interpretação das evidências comparando partos domiciliares planejados e partos hospitalares em gestantes de baixo risco. 

Não se compreende mais na atualidade o processo de tomada de decisão baseado exclusivamente nas concepções e na experiência do prestador de cuidado, uma vez que, por definição, Medicina Baseada em Evidências consiste na integração harmoniosa da experiência clínica individual com as melhores evidências científicas correntemente disponíveis e com as características e expectativas dos pacientes.

O parto domiciliar é uma opção segura para as parturientes de baixo risco atendidas por profissionais qualificados e é um direito da mulher.

Estuda, Melania, estuda!



sábado, 21 de junho de 2014

Natus DX™ - Teste do Pezinho Premium


 

 

Este exame permite analisar mais de 600 doenças genéticas, possibilitando identificar precocemente doenças que não se manifestam antes dos primeiros dias ou anos de vida e podem causar lesões irreversíveis ao bebê, como retardo mental e alterações no desenvolvimento neuropsicomotor.

 

 

Esta análise é uma triagem (screening) em que além das doenças, cobertas pelo teste do pezinho tradicional (Fenilcetonúria, Hipertieroidismo Congênito, Hiperplasia Adrenal Congênita, Anemia Falciforme, Fibrose Cística e Deficiência de Biotinidase), também são analisadas doenças como: Erros Inatos do Metabolismo, Retardo Mental, Hemoglobinopatias, Deficiência de Metabolismo de Drogas, vários tipos de síndromes genéticas, Surdez, Cardiomiopatias, entre outras.

Muitas dessas doenças pesquisadas podem ser tratadas com sucesso desde que diagnosticadas antes mesmo de manifestar os primeiros sintomas.

Vale esclarecer que o screening de mais de 600 doenças, não significa que serão encontradas várias enfermidades, levando os pais a uma situação de desconforto quanto ao exame. De fato as doenças cobertas pelo teste são, em sua maioria, raras. O importante é detectar a doença em estágio inicial, enquanto o bebê ainda é recém-nascido, para que os melhores tratamentos sejam adotados, bem como prevenir possíveis sequelas e sintomas.

Para realizar o exame:

O exame é realizado através da análise de amostras de sangue (gotinhas) coletadas através de um único furinho no calcanhar do bebê, por isso é chamado "Teste do Pezinho".

O procedimento é simples e não traz nenhum risco à criança.
Indicação:

Este teste é indicado para todos os recém-nascidos a partir do 2º dia até o 7º dia de vida, que já tenha iniciado alimentação láctea e de preferência antes de completar um mês.

Ao todo são analisados 552 genes.


Os cuidados com o bebê começam agora.

Para saber mais detalhes sobre os genes analisados e as doenças pesquisadas, acesse o site: 


ou ligue: (11) 9 9944.1727 - Simone Nascimento

Simone Nascimento, enfermeira obstetra

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Natus™ - Teste de DNA Fetal Não-Invasivo



Um exame 100% seguro para a saúde da mãe e do bebê.

Natus™ é uma triagem realizada durante a gestação, cujo objetivo é avaliar o risco alto ou baixo do bebê apresentar alguma anomalia genética nos cromossomos 13, 18, 21, X e Y, cujas alterações estão associadas com perdas gestacionais e nascimento de crianças afetadas por síndromes genéticas.

Como funciona o teste?
Durante a gestação, alguns fragmentos de DNA do bebê caem na corrente sanguínea da mãe. Este DNA é organizado de maneira a formar os cromossomos que carregam as informações genéticas. Natus™ analisa esses fragmentos no sangue materno a partir da 9ª semana de gestação, verificando certas condições dos cromossomos que podem comprometer a saúde do bebê.
O maior benefício do teste é evitar passar desnecessariamente por métodos de diagnósticos invasivos em que a gestação pode ser interrompida (ex: amniocentese para análise de cariótipo).

As síndromes genéticas analisadas são:
 
Síndrome de Down
Também chamada de Trissomia do 21, é causada pela presença de uma cópia extra ou parcial do cromossomo 21. Além da deficiência intelectual, crianças acometidas pela doença podem apresentar defeitos cardíacos ou em outros órgãos, podendo exigir intervenção cirúrgica ou tratamento médico. 

Síndrome de Edwards
Conhecida também por Trissomia do 18, é uma doença caracterizada pela presença de uma cópia extra do cromossomo 18. A maioria dos bebês com esta anomalia cromossômica possuem vários defeitos congênitos graves, principalmente no coração. As manifestações incluem retardo mental e atraso no crescimento. Por isso, os abortos ou natimortos são frequentes; e a sobrevida pós-natal é muito baixa.

Síndrome de Patau
Trissomia do 13, como também é conhecida, é causada pela presença de uma cópia extra do cromossomo 13.Esta doença é caracterizada por manifestações clínicas graves, como defeitos em múltiplos órgãos, malformação de sistema nervoso central, atraso de crescimento e retardo mental acentuado. Os abortos ou natimortos são frequentes; e a metade dos nascidos vivos, morre antes do primeiro mês de vida. 

Síndrome de Turner
Também denominada Monossomia do X é causada pela ausência de uma cópia do cromossomo X. É uma anomalia que afeta apenas meninas. As anomalias típicas desta síndrome são basicamente: baixa estatura, disgenesia gonadal (desenvolvimento irregular das gônadas - ovários), frequentemente, apresentam anomalias renais e cardiovasculares; e problemas auditivos.

Indicações para análise:

• Mulheres gestantes com idade igual ou superior a 35 anos;
• Achados no ultrassom do bebê indicando risco aumentado de aneuploidia (ganho ou perda de material genético);
• Histórico anterior de gestação com trissomia (cromossomo com cópia extra);
• Um dos pais portador de translocação robertsoniana (anomalia cromossômica estrutural), aumentando o risco fetal de trissomia do 13 ou do 21. 

Para maiores informações acesso o site: http://inteligene.med.br/ 
ou ligue: (11) 9 9944.1727 - Simone Nascimento

Simone Nascimento, enfermeira obstetra

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Resguardo, quarentena, puerpério



Puerpério 

(quarentena / resguardo – nomes populares) é o nome dado à fase pós-parto, um período de seis a oito semanas, onde os órgãos reprodutivos voltam totalmente ao seu estado normal, como o útero, que durante a gestação cresce 50 vezes o seu tamanho e precisa desse tempo para se recuperar. Trata-se de um momento emocionalmente delicado frente à necessidade de cuidar do bebê, em que o receio do novo pode causar insegurança. Daí a necessidade de compreensão e apoio do companheiro e da família.

 Após o parto, o útero vai se contrair para ajudar no controle do sangramento decorrente da saída da placenta. Independentemente do tipo de parto, sempre há perda de sangue, o que pode causar quedas de pressão arterial e sensação de tontura nos primeiros dias. Nos primeiros dias, esse sangramento será pouco mais intenso que uma menstruação e, progressivamente, vai reduzir até ficar algo semelhante a um corrimento por até 40 dias. Esse sangramento é chamado de loquiação (lóquios). 

 As contrações do útero serão percebidas como cólicas, de leve intensidade, mais evidentes no momento da amamentação. 

 As mamas aumentam de volume, como parte do processo de produção do leite. 

 Outra coisa comum é o aumento do edema (inchaço) das pernas nos primeiros dias que se seguem ao parto, o que pode ser controlado com meias-elásticas e drenagem linfática.

 As atividades do dia-a-dia devem ser retomadas aos poucos; a mamãe precisa descansar. Dormir é essencial para evitar cansaço e irritação. Isso não quer dizer que necessite ficar deitada a quarentena inteira. Os exercícios que a mulher faz para sentar, levantar e andar estimulam a musculatura abdominal a voltar ao normal – depois de 15 dias a musculatura já recupera 70% da sua forma anterior.

Carregar peso, como o filhote mais velho, deve ser evitado pelo menos nos primeiros 30 dias.

Alimentação

A mãe deve optar por alimentos leves e de fácil digestão, com ingestão de líquidos para ajudar na produção do leite. Excesso de gordura e de açúcar não é benéfico, e está relacionado ao aumento de cólicas no bebê. 

A obstipação intestinal, comum durante a gestação, pode se acentuar nos primeiros dias depois do parto. Hidratação adequada, dieta rica em fibras, vegetais e frutas - como mamão e ameixa - auxiliam no retorno das funções intestinais. A formação de gases pode ser controlada com medicamentos, assim como podem ser utilizados laxativos. Também se houver necessidade, a equipe médica orientará a utilização de complementos vitamínicos. 

 Atividade sexual

Fisicamente, o processo cicatricial demanda cerca de 30 dias e este prazo deve ser respeitado, sem atividade sexual, para se evitar dor e comprometimento das cicatrizes. Além disto, os níveis hormonais mais baixos determinam menor lubrificação vaginal e baixa libido, assim como o cansaço físico das atividades maternas. 

Desta forma, o reinício da vida sexual deverá ser realizado com cuidado e no momento em que a mulher acreditar ser apropriado. O uso de lubrificantes íntimos poderá ser necessário. Apesar de o aleitamento materno reduzir a fertilidade é possível engravidar neste período. Assim, é recomendável a utilização de método contraceptivo, conforme a orientação do médico. 

Mais uma verdade: a mulher poderá lavar o cabelo logo após o parto! Outra verdade é que o cabelo cai devido à alteração da taxa de alguns hormônios da mulher nessa fase. Fique tranquila, é algo passageiro. Respeitando as transformações do seu corpo, o puerpério passará sem maiores transtornos e preocupações. E pensar que o papai não sofre nada disso... 

Cuidados - A dor é o termômetro do esforço da mamãe. É a própria mulher quem vai impor o limite na sua vida diária. Normalmente, em 45 dias a mulher já faz os serviços de casa sem dificuldade. Exercícios físicos são proibidos. Nadar e caminhadas somente depois de 45 dias. Ginástica e corrida depois de dois meses e para os esportes coletivos deve-se esperar três meses.


Simone Nascimento, enfermeira obstetra

quinta-feira, 27 de março de 2014

Você sabe o que é a loquiação?

A loquiação é a perda de sangue pela vagina que ocorre após o parto. Não é menstruação e  sim um sangramento do local onde estava implantada a placenta dentro do útero. 

Inicialmente a secreção é sanguinolenta e seu aspecto vai mudando, ou seja, vai se tornando amarronzado, bege até desaparecer complemente, como um final de menstruação, o que normalmente ocorre por volta da 4ª a semana após o parto. Quando a mulher passou por uma cesariana, esse sangramento costuma ser menos intenso e durar menos tempo, já em um pós parto vaginal, a loquiação é mais intensa e longa. Se o sangramento persistir após este período de 6 semanas é importante procurar o profissional que está fazendo o seu acompanhamento de pós parto.

Existe também uma outra situação pouco comum, o hematométrio. Isso ocorre quando os lóquios uterinos não são devidamente evacuados através do colo uterino e da vagina, por uma obstrução mecânica ou por processos que ocluem o colo (estenose cervical secundária a procedimentos cirúrgicos, fibromas cervicais, restos placentários). Quando isso ocorre, a mulher não apresentará nenhum sangramento vaginal e ainda terá como queixa dor abdominal intensa e um útero com volume maior do que o esperado no pós parto. Caso isso ocorra, seu médico deverá ser alertado imediatamente.


Outra situação comum, é durante a amamentação, nos primeiros dias, a mulher sentir cólicas. Isso se deve às contrações uterinas estimuladas pela ocitocina liberada durante a amamentação, e que ajuda o útero a se contrair mais rapidamente, diminuindo também o volume do sangramento.

Esse é um dos grandes motivos para o incentivo da amamentação ainda em sala de parto. Além de iniciarmos o vínculo mamãe e bebê, reduzimos as chances da mulher ter uma hemorragia no pós parto e aceleramos a produção do leite materno.

Simone Nascimento, enfermeira obstetra

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Avós influenciam na amamentação?

Na melhor das intenções, mas muitas vezes com informações das décadas de 1960 ou 1970 em mente, as avós de crianças recém-nascidas acabam recomendando às suas filhas ou noras que passem a dar outro tipo de leite e até mesmo água ou chá para os bebês. Isso, muitas vezes, leva a resultados negativos para a alimentação da criança.

Estudo publicado (Rev. Saúde Pública v.39 n.2 São Paulo abr. 2005) na revista da USP, mostra que o problema não deve ser desprezado. Na conclusão do estudo, realizado com 601 mães que deram à luz no Hospital Universitário de Porto Alegre, os pesquisadores apontam que as avós podem influenciar negativamente na amamentação.

De acordo com a pesquisa, a causa de grande parte das crianças ter parado de tomar exclusivamente leite materno durante o primeiro mês de vida está na influência das avós. O artigo assinado pela médica Lulie Susen, da Fundação Universidade do Rio Grande (Furg), e colaboradoras, mostra que, entre as avós maternas, 53,2% indicaram água ou chá para os netos e 86,8% outro tipo de leite. No casos das sogras, as taxas ficaram em 67,4% e 70,5%.

“É necessário cautela na generalização dos resultados dessa pesquisa”, adverte Lulie no artigo. A amostra estudada, explica a pediatra, provavelmente representa a população urbana brasileira de menor poder aquisitivo, em que é bastante comum as avós estarem próximas na época do nascimento de uma nova criança na família. “Em outras populações, a influência exercida pelas avós pode ser diferente da encontrada nesse estudo”, conta.

“A informação correta é um divisor de águas, pois quanto mais bem informadas estiverem as mães e as avós, maior é a chance de sucesso no aleitamento materno”, disse Lulie à Agência FAPESP. Para a pesquisadora, um maior conhecimento sobre o assunto pode estimular as mães a amamentarem mais, pois elas saberão as vantagens do aleitamento para a saúde de seu filho, para a sua própria saúde, para a família e a sociedade como um todo.

As avós, que no caso brasileiro estão muito presentes, querem ajudar, mas, segundo a pesquisadora da Furg, existem muitas informações desatualizadas. “Há muitos mitos e tabus em relação ao aleitamento materno, passados de geração a geração, e só um conhecimento real, técnico é que poderá sobrepor isso tudo.”

Como forma de resolver o problema, analisado pela primeira vez de forma mais direta no Brasil, a saída, explica Lulie, é apenas uma: ampliar o número de campanhas de esclarecimento. “Muitas avós tiveram experiências negativas com o aleitamento, até porque elas se tornaram mães em um período em que o aleitamento não era incentivado dessa forma. Consideramos que a avó seja uma figura muito importante e deva ser inserida dentro de programas de promoção do aleitamento materno, ao lado das próprias mães”, explica.