sexta-feira, 9 de março de 2012

Streptococcus B ( GBS )




Streptococcus B é uma bactéria que causa morte em bebês prematuros e que é desconhecida por muitas gestantes. Um exame laboratorial realizado até 48 horas antes do parto normal elimina o risco.
Sabe-se hoje que o Streptococcus é a bactéria mais freqüentemente isolada dos quadros de sepse neonatal precoce, podendo ou não vir acompanhado de meningite, pneumonia, osteomielite, etc - quadro este não raro fatal.
Em 1970, este microrganismo chamado também de estreptococo beta hemolítico do grupo B, ou simplesmente SBB, emergiu como o principal patógeno em UTIs neonatais, causando elevada mortalidade nos recém-nascidos. Essa bactéria, descoberta há quase 100 anos, coloniza o intestino humano, sendo parte da flora intestinal normal, podendo ou não estar presente nas fezes. A partir do intestino o SBB pode se instalar no trato genital feminino (parede vaginal), sem apresentar qualquer sintomatologia clínica.

Diagnóstico laboratorial

O diagnóstico consiste em fazer duas culturas coletadas de locais diferentes: parede vaginal e ano-retal, e devem ser realizadas entre 35 e 37 semanas de gestação ou quando a mulher apresentar trabalho de parto ou ruptura de bolsa antes de 37 semanas.

O resultado pode ser obtido em 30 horas ou menos, incluindo a prova de susceptibilidade aos antibióticos. Com esse resultado o ginecologista saberá qual paciente deve ser medicada e com qual antibiótico. Importante salientar que somente a cultura pode identificar as mulheres que realmente necessitam ser medicadas, e assim evitar o uso indiscriminado de antibióticos.

O antibiótico (penicilina) é a droga de escolha e deverá ser prescrita para as mulheres com cultura positiva para estreptococo do grupo B.
Existe também a indicação de tratamento para parturientes em trabalho de parto antes de 37 semanas e que não tenham o resultado da cultura.
Esta bactéria está presente em cerca de 15 a 35% das gestantes ao longo da gravidez. Segundo o médico obstetra Marcelo Luís Nomura, do CAISM - Unicamp, autor da tese de doutorado que investigou o assunto, em 50% dos partos em mulheres contaminadas, a bactéria - que não causa sintomas nas mães - pode ser transmitida ao recém nascido.

Uma cultura positiva significa que a gestante é portadora de GBS - e não que ela ou seu concepto ficarão doentes. Não devem ser dados antibióticos orais antes do parto para as mães colonizadas porque, neste momento, antibióticos não são capazes de previnir a doença por GBS no recém-nascido. Uma exceção é quando GBS é detectado na urina. Neste caso, a mãe deve ser tratada no momento do diagnóstico. Conhecer as portadoras de GBS na vagina ou no reto é importante no momento do parto - quando os antibióticos são efetivos na prevenção da transmissão.

A infecção pode causar meningite, pneumonia e septicemia (infecção sangüínea) nos recém-nascidos, e ocorre em 2% dos bebês de mães colonizadas. Os prematuros podem se infectar com maior freqüência e os sintomas aparecem poucas horas após o nascimento.
Cerca de 15% a 30% dos sobreviventes da meningite apresentam seqüelas neurológicas, visuais e auditivas graves. A taxa de mortalidade varia de 2% a 30%.

 Ainda não há vacina preventiva para o controle da   bactéria, portanto a única forma de prevenção é o tratamento precoce. O exame laboratorial minimiza a antibioticoterapia empírica, pois pode ser realizado em até 48 horas antes do parto.

Com o diagnóstico positivo, a parturiente é medicada com penicilina. As alérgicas podem ser medicadas com outro antibiótico.
Para o médico Dr.Ulysses Moraes Oliveira, especialista em microbiologia clínica, e responsável pelo desenvolvimento desse meio de cultura, há necessidade de se difundir ao máximo esse conhecimento, para não mais haver recém-natos colonizados e com possibilidade de vir a óbito.

O exame laboratorial detecta quase 100% dos casos e orienta a terapêutica para um antibiótico específico de baixo custo e de ação rápida, minimizando o tempo de internação e conseqüente alta hospitalar.
Para tanto, se deve divulgar e informar a mulher e o obstetra. “Na maioria dos casos, o médico deixa de investigar a presença da bactéria por desconhecer que existe esse exame e que ele pode ser realizado com agilidade, a baixo custo e com fácil implantação pelos laboratórios” afirma o especialista.
Dr. Oliveira diz ainda que a coleta feita em tempo hábil antes do parto para a identificação da bactéria e o imediato tratamento no momento do parto reduzem a zero o risco de morte do bebê.

Para o médico Dr.Marcelo Luís Nomura, apesar de não haver recomendação oficial governamental, o CAISM - Unicamp realiza o exame em todas as gestantes entre 35 e 37 semanas de gravidez, como recomendado há alguns anos na América do Norte, em alguns países europeus e num protocolo oficial, seja de órgãos oficiais ou de sociedades de especialistas. “Esta é a única forma de garantir que o diagnóstico precoce seja prática habitual dos médicos”, esclarece.





São consideradas gestantes de alto risco para transmissão de streptococcus B:

1. Trabalho de parto antes de 37 semanas de gestação (mesmo com membranas íntegras)
2. Gestação a termo com bolsa rota, com trabalho de parto em tempo superior a 18 horas.
3. Febre inexplicada durante o trabalho de parto
4. Infecção fetal por GBS em gestação anterior
5. Infecção do trato urinário por GBS presente ou passada


Profilaxia para streptococcus B

1. Pode ser feita dando antibióticos intravenosos para a mãe durante o parto nas seguintes condições:
A. Toda gestante que teve um filho prévio com doença por GBS ou que teve infecção urinária por GBS.
B. Gestantes portadoras de GBS (cultura positiva) devem receber antibióticos no momento do parto ou ruptura de membranas.
C. Gestantes de alto risco sem rastreamento prévio.
2. Anti-sepsia do canal de parto com gluconato de clorexidina: tem excelente ação sobre germes gram-positivos e baixa toxicidade. Pode ser feita pela irrigação vaginal de clorexidina e repetida a cada 6 horas até o nascimento ou pelo uso tópico de solução aquosa de clorexidina vaginal durante o trabalho de parto. O seu uso parece ser benéfico para evitar a doença precoce do recém-nascido causada pelo GBS.


Streptococcus B positivo é contra-indicação do Parto vaginal?

NÃO!!! Muitos obstetras dizem que sim, e às vezes por falta de informação e orientação inadequada da gestante, o obstetra indica a cesárea.
Streptococcus B positivo não é indicação de cesárea, mas vale lembrar que como descrito acima, com um resultado de cultura positivo a profilaxia adequada é indispensável! A segurança do bem estar e da saúde da mamãe e do recém-nascido é prioridade.

Simone Nascimento, enfermeira obstetra



















12 comentários:

  1. olá doutora estou com 36 semanas + ou - e meu exame deu positivo, o meu médico não me alarmou, mas me orientou a avisar ao médico que me atender na hora do parto sobre o resultado positivo do exame.
    Bom, sei que ficou bem explicado os cuidados que devem ser tomados na hora do parto, e assim como uma profissional na área da saúde também sei, do erros cometidos em alguns hospitais. Agora fiquei preocupada quanto à hipótese da minha bebê nascer com algum problema por conta dessa bactéria... algum modo de eu minimizar esses riscos? ou só na hora mesmo que podem fazer o tratamento adequado?

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  2. Olá doutor meu exame deu positivo alarmei o meu médico sobre o assun meu parto foi cesariana mas o meu bebê depois de duas semanas apresentou alergia no rosto quepassou para a cabeça com.varias bolinhas de pus e os olhos com bastante remela estou tratandocom o remédio cefalexina a risco de a alergia volta epor mais que meu parto foi cesariana eu ter transmitindo a bacteria para ele

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  3. Ola, eu tive esse problema a um mês. Ganhei meu bebê, foi parto normal mas foi muito difícil, tiveram que puxar ele com um fórceps. Nas primeiras horas de vida ele estava bem, mas depois ele apresentou falta de ar.Levaram ele para o pediatra, fizeram um raio x e deu tudo bom. Ficou em observação e na madrugada ele deu uma convulsão. Bateram uma tomografia e deu que ele estava com uma pequena hemorragia. No primeiro momento falaram que um lado do cérebro era pouquinha coisa maior. Eu fiz aquela eco morfológica, e deu tudo perfeito. Como deu muita parada respiratória nele a espera da UTI móvel neo natal, a cabecinha dele ficou muito inchada. Enfim, constataram nele meningite, causada pela bactéria Streptococcus B. Antes na gestação eu tive nas 32 semanas uma infecção cândida albicans, tratei dela com pomada. Agora terei que ser medicada com profilaxia com penicilina, e estou com medo da próxima gestação. Qual seria o procedimento seguro que eu terei de tomar? Meu bebê estará seguro se eu for medicada? Qual o momento dessa medicação? Obrigada estarei aguardando sua resposta.

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  4. OLÁ, ESTOU COM 30 SEMANAS E JA TENHO DOIS FILHOS, DESCOBRI ESTA SEMANA ATRAVÉS DE UM EXAME DE URINA, MINHA OBSTETRA MANDOU EU TOMAR AMPICILINA DE 500 2 COMPRIMIDOS DE 6/6 HORAS POR 7 DIAS...MEU PARTO VAI SER CESARIANA, QUAIS OS RISCOS QUE MEU BEBE AINDA CORRE...VOU REPETIR O EXAME DE URINA EM 8 DIAS...ESTOU MUITO AFLITA...EXISTE CONTAMINAÇÃO NA CESARIANA ?

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  5. não deu tempo eu fazer o exame, logo meu filho nasceu eu tive a infecção e meu filho também, no meu caso eu comecei com o trabalho de parto com 29 semanas, a minha bolsa rompeu as 9hs da manhã, e só foram fazer a cessaria as 23hs, pois não aguentava mais de dor, antes disto falei para doutora que o medico da ultrassom que batei no mesmo dia havia me enformado que seria necessário fazer um exame chamado ispecular para detectar melhor a bolsa, mais a doutora se negou fazer o exame. Com isto será que com a falta deste exame pode ter agravado o estado do meu bebê, que hoje se encontra na uti neo natal, ele tomou 7 dias de antibióticos e eu tenho que tomar 10 dias, mesmo eu tomando tanto antibiótico tem chance de contrair a bactéria em outra gestação.

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  6. Ola essa baquiteria nao tem cura? To de 37 semanas

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. Parabéns, a informação a respeito é muito importante. Com o antibiótico, a infecção continua na gestante e bebê? ou é eliminada?
    é certo que o bebê nasce com Streptococcus B ??

    Seria importante esclarecer.


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  9. eu tinha essa bacteria e minha medica disse q eu tinha q avisar na hora do parto ai avisei a medica e todas as enfermeira e ninguem me deu nenhum antibiotico minha filha nasceu no jjm ela nasceu com ictericia e tava baixa ela mostrava q tava bem ela aparentava estar bem ela nasceu dia 13.02.2014 e faleceu dia 02.03 com septecemia e broncopnomonia o q devo fazer

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  10. alguem sabe informar quanto custa em media esse exame?

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  11. eu tive essa bacteria ,,meu parto foi cesaria e eu tomei o antibiotico ,mais meu filho focou 7 dias no hospital tomando antibiotico , eu quero saber se eu quizer engravidar dinovo ,,eu continuo com essa bacteria e se pode acontecer a mesma coisa?

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